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Revoada das andorinhas em cidade do interior de SP inspirou letra de clássico sertanejo gravado pelo Trio Parada Dura
19/03/2026
(Foto: Reprodução) Compositor Alcino Alves conta sobre a música 'As Andorinhas' gravada por Trio Parada Dura
A revoada das andorinhas virou letra de uma música que começou a ser escrita em São José do Rio Preto (SP) e foi gravada pelo Trio Parada Dura. A composição foi feita por Alcino Alves, de 73 anos, durante uma passagem pela cidade, em 1985. Nesta quinta-feira (19), o município completa 174 anos de emancipação.
Ao g1, Alcino contou que saiu de Londrina (PR) para visitar a família em Uberlândia (MG), em um trajeto de 675 quilômetros. Devido ao longo tempo da viagem, que dura em média nove horas, ele decidiu fazer uma parada em São José do Rio Preto, quando avistou a revoada das andorinhas no Centro. Assista ao vídeo acima.
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"Eu saí de Londrina para Uberlândia em um carrinho velho que eu tinha, passando por São José do Rio Preto, mas, como estava ficando tarde, já estava quase escurecendo, eu resolvi dormir em São José do Rio Preto. Estávamos eu, minha esposa e minha filhinha. Eu entrei na cidade para procurar um hotel, não a conhecia direito. Fui a uma praça central de Rio Preto, que eu não me lembro do nome da praça, e tinha, não sei se ainda existe, um hotel na esquina dessa praça", conta.
Ao chegar ao hotel, antes de desembarcar, o artista se deparou com a situação.
"Quando eu desci do carro, tinha várias pessoas olhando para o céu e admirando. Eu também resolvi olhar para o céu, e tinha uma revoada de andorinhas. Eram muitas, milhares de andorinhas que faziam uma forma de funil e desciam na praça para dormir, porque já estava escurecendo e era a hora de elas dormirem. Achei aquilo fantástico", conta.
Compositor Alcino Alves fez música em São José do Rio Preto (SP)
Arquivo pessoal
As andorinhas são aves migratórias e originárias do Canadá. Elas migravam para o Brasil durante o inverno canadense, mas retornavam ao país de origem durante as estações com temperaturas altas.
Alcino lembra que, na ocasião, conversou com moradores de Rio Preto, que lhe contaram sobre o comportamento da ave. Foi por meio disso que ele encontrou inspiração para escrever as primeiras frases da música.
"Eu pensei: 'As andorinhas voltaram e eu também voltei a pousar no velho ninho, que um dia aqui deixei'. Por que? Porque eu estava voltando para Uberlândia, onde estava a minha família. Eu escrevi essas frases em São José do Rio Preto, nesse hotel, nessa praça. Peguei essas frases, botei no bolso e fui embora para Uberlândia. Quando eu voltei para Londrina, dois ou três dias depois, eu terminei a música", lembra.
Creone, Barrerito e Mangabinha, formação antiga do Trio Parada Dura
Reprodução/Instagram
A composição da música "As Andorinhas" também teve participação de Rossi e Rosa Quadros. Ainda no ano de 1985, ela foi gravada pelo Trio Parada Dura e é considerada um dos maiores sucessos dos cantores no Brasil.
O historiador Fernando Marques, de 65 anos, contou à reportagem que Rio Preto ficou conhecida durante muitos anos como a capital da música sertaneja, além de ter sido berço de artistas de renome.
"Aqui [em Rio Preto] residiam grandes nomes do gênero, como Cascatinha, Vieira, da dupla Vieira e Vieirinha, Zé do Cedro e Zé do Rancho, entre tantos. Muitos cantores sertanejos viviam na cidade", lembra.
Trio Parada Dura durante apresentação em 2023
Reprodução/Instagram
São José do Rio Preto (SP) na década de 1986
Foto cedida: Fernando Marques
Cidade das andorinhas
Conforme o historiador, até o início da década de 1970, São José do Rio Preto era considerada a "cidade presépio" no estado de São Paulo e no país. À época, o bispo Dom Lafayette Libânio montava um grande presépio em frente à Catedral São José. A imagem atraía visitantes de várias cidades. Com a morte do bispo, em 28 de julho de 1979, a tradição desapareceu.
Pouco tempo depois, segundo Fernando Marques, as andorinhas que ficavam em uma praça de Mirassol (SP) migraram para a Praça Dom José Marcondes e, posteriormente, para a Praça Rui Barbosa, em Rio Preto.
Revoada das andorinhas em São José do Rio Preto (SP)
Fernando Marques/Divulgação
"O balé aéreo das andorinhas era maravilhoso e atraía uma multidão para ver a revoada, que iniciava no final da tarde. Vários canais de TVs fizeram reportagem na época. Com isso, Rio Preto ganhou o novo apelido de 'cidade das andorinhas'", explica.
Entretanto, a presença das aves trouxe problemas devido às fezes que sujavam praças, áreas públicas e veículos que eram estacionados na região central da cidade.
"Comerciantes, taxistas e moradores reclamavam do mau cheiro e da sujeira. Era uma época áurea do Cine Rio Preto, que ficava bem em frente à Praça Rui Barbosa. Parar o carro ali e ir ao cinema era um Deus nos acuda. A prefeitura tinha que lavar as praças e as ruas em volta todos os dias. Era uma loucura", conta.
O historiador diz que o problema só foi totalmente resolvido após um biólogo, que morreu em 1º de junho de 2025, descobrir uma forma de espantar as andorinhas. "A solução foi encontrada pelo biólogo e chefe do Ibilce, o professor Luiz Dino Vizotto, que conseguiu descobrir que as aves não gostavam da coloração de uma luz, que foi instalada nas árvores das praças, e elas foram embora de vez", finaliza.
Vista aérea de São José do Rio Preto (SP)
Reprodução/TV TEM
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Homem-Andorinha
A ave também serviu de inspiração para o Homem-Andorinha, personagem de uma revista de histórias em quadrinhos lançada em São José do Rio Preto.
O jornalista e agente cultural Vicente Serroni, de 73 anos, contou que montou um bar na cidade, chamado Gibeer, em 2003.
"Eu tinha um bar temático e resolvi criar o Homem-Andorinha. Depois, eu convidei o artista plástico Miguelavo, e a gente lançou umas revistas, foram seis revistas com histórias do Homem-Andorinha, o nosso super-herói rio-pretense", conta.
Revista do Homem-Andorinha criada em São José do Rio Preto (SP)
Arquivo pessoal
A decoração do bar de Vicente era colorida e girava em torno de gibis. Algumas paredes do estabelecimento eram oferecidas para os clientes escreverem textos, lembranças e mensagens de carinho. Alguns revelavam problemas da cidade que preocupavam a população.
Pensando em resolver os questionamentos dos moradores, surgiram as histórias envolvendo o Homem-Andorinha.
Revista do Homem-Andorinha, criada em São José do Rio Preto (SP)
Arquivo pessoal
"Nas revistas, as mensagens tinham a mesma finalidade: mostrar o Homem-Andorinha, o super-herói que, no final da história, salvava e ajudava a resolver as questões que preocupavam a população", conta Vicente.
Ainda segundo Serroni, as pessoas se interessavam em ler a revista e, à época, a iniciativa foi bastante comentada, atraindo leitores de várias idades.
Revista do Homem-Andorinha criada em São José do Rio Preto (SP)
Arquivo pessoal
"Essa revista era feita de forma artesanal. Os quadrinhos que o Miguelavo desenhava eram todos em cima das histórias que eu criava. Eu ia ditando para ele e a revista era desenhada por ele à mão. Na época, o pessoal queria adquirir as revistas. Eu criava as histórias para ajudar a divulgar o artista. Ele vendia as revistas e ficava com o dinheiro para ter mais uma fonte de renda", finaliza.
O artista Furtado Sales, o Miguelavo, morreu em 1º de dezembro de 2023, após sofrer uma queda acidental no quintal de sua casa.
Jornalista Vicente Serroni e cenógrafo J.C Serroni em bar temático de São José do Rio Preto (SP)
Arquivo pessoal
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