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Influenciadora suspeita de se passar por advogada em MT fez vítima transferir R$ 30 mil em pensão, diz delegado
04/08/2026
(Foto: Reprodução) Kamila Gonçalves Vieira, conhecida como "Rapunzel Cuiabana"
Reprodução
Presa por suspeita de se passar por advogada, a influenciadora digital Kamila Gonçalves Vieira, conhecida como "Rapunzel Cuiabana", teria feito uma vítima transferir cerca de R$ 30 mil em pensão alimentícia para a conta dela e entregar uma caminhonete durante um falso processo de divórcio. A mulher foi presa nessa segunda-feira (3), em Primavera do Leste (MT), durante a Operação Fallacia, que investiga o caso como estelionato.
O g1 tentou entrar em contato com a defesa da influencer, mas até a última atualização desta reportagem não obteve retorno.
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Segundo o delegado Honório Delta, responsável pela investigação, Kamila é investigada por diversos casos de estelionato em Primavera do Leste e em Cuiabá e costumava usar a falsa identidade de advogada para conquistar a confiança das vítimas.
"Ela é multirreincidente em estelionato. Aqui em Primavera, desde 2022, temos inúmeros boletins de ocorrência em que ela aparece como suspeita. Ela tem o costume de se passar por advogada", afirmou.
Agora no g1
Influencer interceptou cerca de R$ 30 mil de pensão
Segundo a investigação, a suspeita teria:
abordado a vítima oferecendo ajuda para conduzir o processo de divórcio, se passando como advogada;
ao 'assumir o divórcio', ela teria afirmado que a ex-companheira do homem havia conseguido uma medida protetiva e que qualquer contato entre os dois poderia resultar na decretação da prisão preventiva dele;
com esse argumento, orientou que a pensão alimentícia fosse depositada diretamente na conta dela. A promessa era de que faria o repasse à ex-esposa, o que, segundo a polícia, nunca aconteceu.
As suspeitas começaram quando o homem contratou outro advogado. Ao entrar em contato com a ex-companheira, ele descobriu que ela não havia recebido nenhum valor. Também foi constatado que Kamila não possuía registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Segundo o delegado, ao longo de mais de cinco meses, a vítima teria transferido aproximadamente R$ 30 mil acreditando que estava cumprindo a obrigação judicial.
Falso mandado de prisão e 'contrato' de caminhonete
O delegado afirmou que, mesmo após a vítima interromper os depósitos, a investigada continuou tentando manter o golpe. Conforme o delegado, ela chegou a enviar mensagens afirmando que um oficial de Justiça teria expedido um mandado de prisão contra o homem caso ele deixasse de pagar a pensão.
A polícia apurou ainda que a suspeita produziu documentos falsos para dar aparência de legalidade às ameaças e convencer a vítima a continuar fazendo os pagamentos.
Além do dinheiro, Kamila também teria convencido o homem a entregar uma caminhonete. Ela alegou que o veículo poderia ser incluído na divisão de bens do divórcio e sugeriu a assinatura de um contrato de locação em nome dela para evitar a perda do automóvel.
Segundo o delegado, o prazo combinado terminou, mas a caminhonete não foi devolvida. O veículo foi localizado e apreendido durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão na segunda-feira.
Prisão preventiva
Segundo o delegado, o histórico de golpes atribuídos à investigada motivou o pedido de prisão preventiva.
"Tudo o que ela faz é dar golpes. Se permanecer solta, vai continuar praticando esse tipo de crime", disse.
A suspeita, que reúne mais de 40 mil seguidores nas redes sociais, foi localizada em um estabelecimento comercial no bairro Buritis II por equipes da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Primavera do Leste.
Durante as buscas na casa dela, os policiais apreenderam um celular, cartões bancários, documentos em nome de terceiros e a caminhonete investigada.
Influencer ja tinha sido presa em 2021
Kamila Gonçalves Vieira, conhecida como “Rapunzel Cuiabana”, foi presa em 2021 sob suspeita de alugar casas mobiliadas e furtar móveis, objetos pessoais e bens de valor dos imóveis. Segundo a polícia, ela teria levado itens como camas, eletrodomésticos, roupas de cama, objetos de decoração, joias, relógios e pedras preciosas de algumas vítimas.
As investigações apontaram que algumas vítimas criaram um grupo de WhatsApp para trocar informações e reconhecer objetos encontrados com a suspeita. Elas também relataram que teriam recebido ameaças ao tentar recuperar seus pertences.