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Caso Orelha: investigação aponta adolescente como autor da agressão que levou à morte do cão; polícia pede internação do jovem
08/02/2026
(Foto: Reprodução) Caso Orelha: novos vídeos e depoimentos do caso
A investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha avançou nesta semana em Florianópolis. Após analisar imagens de câmeras de segurança e ouvir testemunhas, a Polícia Civil de Santa Catarina apontou um adolescente de 15 anos como responsável pela agressão que levou à morte do animal. O caso ocorreu em 4 de janeiro, na Praia Brava.
Segundo a polícia, foram aproximadamente mil horas de imagens analisadas e 24 testemunhas ouvidas. O relatório foi encaminhado ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), e a Polícia Civil pediu a internação do menor. Outros três adolescentes inicialmente suspeitos foram descartados.
O delegado Renan Balbino explicou:
“Pela localização de onde a gente imagina que foi a agressão, dois [adolescentes suspeitos] sequer estavam ali. O terceiro também [não estava por perto]. Por isso que esses três, a princípio, foram descartados.”
A Polícia Civil afirma ter cruzado dados de localização por celular com as imagens de monitoramento:
o adolescente teria saído do condomínio às 5h25, em direção à praia, acompanhado de outros jovens;
às 5h58, ele aparece voltando ao local, dessa vez ao lado de uma adolescente;
às 5h18, câmeras mostram Orelha saindo de sua casinha;
às 6h32, uma imagem mostra o cachorro caminhando de volta, já ferido, segundo os investigadores;
às 7h05, surge o último registro do cão.
Questionado sobre as imagens, o delegado afirmou que elas indicam lesões: “No nosso entender, sim. Analisamos as imagens e apontamos que ali ele já está machucado.”
Cão Orelha, que foi agredido em Florianópolis
Reprodução/Redes sociais
A defesa do jovem, porém, contesta a interpretação da polícia.
“A polícia disse que o fato ocorreu entre 5h30 e 6h. O cachorro é visto às 7h caminhando normalmente. Se ele foi ferido, foi depois desse período”, declarou o advogado Alexandre Kale.
A polícia informou que não foi produzido laudo pericial específico para determinar o horário exato das agressões.
Defesa aponta fragilidades
Para o advogado do adolescente apontado como responsável pela agressão, há inconsistências no material reunido. Segundo ele, “tem muita ponta solta ainda, muita coisa a ser apurada. Cadê a imagem do cachorro sendo morto? Cadê a imagem do adolescente matando esse cachorro?”
A polícia, por sua vez, afirma que o adolescente entrou em contradição ao declarar inicialmente que havia ficado apenas na piscina do condomínio na manhã do ataque.
Outro ponto destacado pela polícia ocorreu quando o jovem retornou de viagem aos Estados Unidos, 25 dias após o caso. Segundo os investigadores, ainda no aeroporto, parentes tentaram esconder um boné e um moletom usados no dia do ataque.
A mãe do garoto negou a tentativa. “Em momento algum eu me neguei ou escondi porque levei o boné. Ele estava com o moletom na viagem, então, não tinha por que esconder e tampouco a gente sabia de quais provas eles estavam falando."
A defesa também criticou o pedido de internação. “O Estatuto da Criança e do Adolescente não prevê isso. É um absurdo. Não há uma violência contra uma pessoa. Há suposta violência contra animal. Nem clamor público pode ser motivo de causa para isso. E tem mais: nada tem de elemento para o adolescente ser cerceado da liberdade em virtude disso."
A pedido da polícia, a Justiça determinou a entrega do passaporte do menor.
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